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Há um ano, no dia 30 de julho de 2020, a NASA enviava para Marte, a bordo do foguete Atlas-V, a sonda Perseverance para continuar estudando sinais de vida no planeta vermelho. Dentro da sonda, o helicóptero Ingenuity, desenvolvido para testar, pela primeira vez, em um outro mundo, o voo controlado e motorizado. Mas como os cientistas da NASA foram capazes de construir o helicóptero que voaria em Marte?

 

A NASA primeiro criou uma Marte virtual e um helicóptero virtual que foi testado e adaptado, pois quando o equipamento chegasse a Marte, seria tarde demais para fazer modificações – a distância mínima da Terra a Marte é de cerca de 54,6 milhões de quilômetros, ou, cerca de 350 dias de viagem.

 

O que invalidaria os resultados e as metas do projeto, considerada a sexta missão planetária robótica mais cara da NASA (cerca de US$ 2,75 bilhões no projeto ao longo de 11 anos, incluindo US$ 2,2 bilhões para o desenvolvimento e construção do hardware, US$ 243 milhões para serviços de lançamento e US$ 291 milhões para 2 anos e meio de operações de missão)

 

Mais uma prova de que a tecnologia dos gêmeos digitais está se tornando, rapidamente e cada vez mais, uma parte central da engenharia.

 

Gêmeos digitais têm sido, na verdade, utilizados no programa espacial da NASA desde os anos 1960. Um exemplo é o desenvolvimento de um gêmeo digital para avaliar e simular as condições a bordo da Apollo 13.

 

Mas essa é uma outra história…

Durante o painel “Transformação Digital em E&P”, do Seminário PetroTIC, o CEO da PhDsoft, Duperron Marangon Ribeiro, contou que em uma edição da Hannover Messe, maior feira de tecnologia industrial do mundo, foi abordado com a seguinte pergunta:

– Are you speaking of digital transformation or doing digital transformation?

“O fato é que muita gente fala de transformação digital, mas poucos fazem transformação digital, porque existe muito receio do processo de mudança”, explicou, durante o painel. “De forma geral, no Brasil, fala-se muito, mas implementa-se pouco”, afirmou.

“Empresas brasileiras com tecnologias inovadoras têm dificuldade para colocar seus produtos no mercado brasileiro, pois as empresas estão esperando para ver se existem outras empresas, na concorrência, usando essas tecnologias. Essa é uma mentalidade diferente de mercados mais desenvolvidos que buscam, na inovação e nas novas tecnologias, formas de ampliar a sua competitividade”, explicou.

“Nesses mercados, as empresas tecnologias crescem mais”, acrescentou. “A tecnologia no exterior cresce em condições melhores”, concluiu Duperron, que enumerou os desafios para manter o estado da arte da tecnologia no Brasil.

Participaram do painel Robert Antônio Cosmo Nunes, Gerente Geral de Transformação Digital da Petrobras, Fernando Nery, Sócio-fundador da Modulo Security Solutions e Cláudio Souza, Superintendente de Dados Técnicos da ANP, como palestrantes, e Marcio Lacs, CEO da AMT Solution Desk como mediador.

O Seminário PetroTIC é um evento referência na convergência do setor de Tecnologia e do setor produtivo de Óleo, Gás & Energia. Neste ano, o tema foi a Transformação Digital da Energia.

Um dos pilares da chamada Indústria 4.0, os gêmeos digitais (digital twins) são considerados pela Gartner uma das 10 tendências mais relevantes no âmbito de TI.

De acordo com a consultoria, um terço das organizações mundiais irão adotar soluções de Inteligência Artificial e Gêmeos Digitais em conjunto com projetos de Internet das Coisas, até 2023.

“Gêmeos digitais representam o presente e o futuro das empresas e da indústria, pois ao representar, de forma digital, um processo, estrutura ou sistema, fazem a ponte entre o mundo físico e o virtual”, explica Duperron Ribeiro, CEO da PhDsoft.

“Dessa forma, são capazes de monitorar, analisar e aperfeiçoar o desempenho de processos, reduzir custos e aumentar a produtividade”, acrescenta.

 

C4D: primeiro gêmeo digital do mercado

 

Em 1993, a PhDsoft lançou a primeira versão do C4D, tecnologia robusta e comprovada que prediz com precisão a degradação e corrosão de ativos complexos ao longo do tempo.

Seu primeiro cliente foi a Transpetro em 1995, que passou a utilizar o C4D em seus navios”, lembra.

Este foi o primeiro Gêmeo Digital do mercado. Somente oito anos depois o termo Digital Twin veio a ser criado. Desde então, a PhDsoft vem liderando a tecnologia de Digital Twin.

Artigo publicado em janeiro na MIT Technology Review – revista do Instituto de Tecnologia de Massachusetts –, aponta os gêmeos digitais (digital twin) como protagonistas da transformação tecnológica em andamento.

 

De acordo com Guga Stocco, criador da operação online do Banco Original e co-fundador da empresa de venture capital Domo Invest, na indústria, gêmeos digitais são considerados os protagonistas das fábricas inteligentes.

 

Potencial para uso de indivíduos

“[A consultoria mundial] Gartner prevê que até 2021, metade das grandes empresas e industrias usará gêmeos digitais, o que se traduzirá em uma melhoria de 10% em sua eficiência”, destaca.

 

“No dia a dia dos indivíduos, os gêmeos digitais têm um potencial enorme à medida que a realidade virtual e aumentada vão evoluindo, as redes de 5G vão sendo implementadas e os óculos de VR ganhando novos designs, formatos e funções”, acrescenta.

Em 2012, a revista TN Petróleo, uma das principais publicações do setor de óleo e gás no Brasil, destacava o lançamento de uma nova versão do C4D, gêmeo digital (digital twin) da PhDsoft.

 

“Único no mundo, [o C4D] é usado na manutenção de estruturas como plataformas de petróleo e navios. Até pelo aumento da segurança que viabiliza, ele já foi adotado por Petrobras, Shell, Modec e Subsea7”, escreveu a revista.

 

“Agora, o software também inclui realidade aumentada para orientar os robôs submarinos que auxiliam nas inspeções. Esta foi uma demanda para a exploração do pré-sal”, acrescentava o texto da matéria, que contou com depoimento de Duperron Ribeiro, CEO da PhDsoft.

 

“O C4D é um caso de sucesso brasileiro. Ele reúne as técnicas mais modernas de engenharia, TI e gestão para maximizar a eficiência do processo de manutenção e minimizar riscos de acidentes que causam grandes prejuízos, poluição e mortes”, explicava Duperron. “Foi isso o que atraiu a Petrobras, há mais de 15 anos, quando eu ainda testava a tecnologia como professor da UFRJ, antes de fundar a PhDsoft, em 2000”, concluía.

C4D ganhou valor durante a pandemia da Covid-19

Hoje, passados quase 10 anos, o C4D continua passando por atualizações tecnológicas constantes, e ganhou grande valor durante a pandemia da Covid-19 por reduzir significativamente o trabalho presencial de inspeção dos ativos sob seu controle.

Um dos mais importantes portos dos EUA e um dos mais movimentados do mundo, o Porto de Houston utilizará o C4D, gêmeo digital da PhDsoft, para melhorar o desempenho operacional, reduzir custos de inspeção e manutenção, e maximizar a vida útil dos guindastes. O contrato entre o Porto de Houston e a PhDsoft foi assinado no ano passado.

“O C4D permite a percepção imediata da situação das estruturas através de uma visualização que utiliza raios-X 4D, e consolida todas as informações em um banco de dados de acesso simples e rápido”, explica Duperron Ribeiro, CEO da PhDsoft.

“Esse banco de dados permite a troca de informações entre inúmeras empresas prestadoras de serviços de inspeção, empresas de pintura e manutenção”, afirma Duperron. “Além disso, ajuda a automatizar atividades de inspeção, cria avaliações e estatísticas de corrosão e calcula áreas de pintura e proteção catódica, dentre outras funcionalidades”.

Esse é o primeiro contrato da PhDsoft para o setor de portos e infraestrutura. A companhia tem outros contratos do tipo no horizonte. “Estamos focados em novas linhas de negócios e novos nichos, como infraestruturas e indústria, começando com portos”, afirma o executivo.